O DECÁLOGO DOS PAIS

 

                Queiramos ou não, os pais e as escolas compartilham a mesma empreitada de educar os alunos. Um não pode fazer o serviço do outro. Mas, em parceria, os pais podem contribuir, se reconhecerem as regras do jogo, e se dedicarem a tal tarefa cooperativa. Na prática, o desempenho dos pais deixa muito a desejar.

                Um pai entendido em educação pode ajudar o filho em trabalhos criativos ou pode debater com os professores a teoria pedagógica da moda. O presente ensaio – obra coletiva de muitos amigos – não é para esses pais. Seu objetivo é mostrar o que qualquer pai pode fazer em casa e na escola.

                Em casa, pode-se ajudar os filhos de muitas maneiras. Vejamos as questões que um pai dedicado deve levar em conta:

 

- Conversa com os filhos com frequência? As pesquisas mostram a importância dessas conversas, mesmo que não sejam sobre educação. Sugere que estabeleçam metais pessoais para a própria educação?

 

- Acompanha minuciosamente o boletim escolar – que é a fotografia de seu desempenho? Ouve os filhos, para saber se estão sendo educados com competência, desvelo e justiça? O pai pode não entender de educação, mas descaso e displicência ele sabe detectar.

 

- Promove leituras em voz alta? Traz para casa leituras que os filhos acham interessantes? É preciso que seja alguma coisa que capture sua curiosidade. Não há bons alunos que não sejam também bons leitores. A leitura e a escrita são os fundamentos da educação. São as ferramentas usadas pela educação escolar.

 

- Cria, mesmo com sacrifício, o espaço físico e a tranquilidade necessária para os filhos estudarem? Abre mão de seus confortos e conveniências para criar o silêncio indispensável?

 

- Administra o uso da TV, para que não conflite com os estudos? Algumas pesquisas mostram alunos tendo mais horas de TV por dia do que de estudo por semana. Não se trata de discutir se a TV é prejudicial em si mesma, mas de se preocupar com as horas que ela rouba dos estudos.

 

 

                Na escola, não é menor o papel dos pais. Eles podem e devem cobrar resultados. E podem tornar desconfortável ou insuportável a vida de quem está atrapalhando ou deixa de fazer sua parte. Eis as perguntas que um bom pai deve fazer à escola:

 

- O professor passa dever de casa? Corrige? Discute os erros e os acertos com os alunos? O “para casa” é uma continuação do processo escolar. E bem sabemos que, quanto mais tempo se passa estudando, mais se aprende.

 

- Vai à escola indagar e tentar entender o que está acontecendo? Aprende como e por que a escola avalia, aprova e reprova os alunos? Vai ver como são as normas disciplinares? Busca estabelecer parcerias produtivas com os professores que educam seus filhos? Nas visitas, verifica como estão os espaços físicos? Os banheiros estão limpos? Há vidraças quebradas? Mau sinal se a escola está descuidada, é sintoma de enfermidades mais graves.

 

- Acompanha a vida da escola para ver se os professores faltam ou chegam atrasados? Se ocorrem greves ou não há aulas, as causas de tais desarranjos são problemas da escola, não seus. O assunto do pai é a falta de aulas.

 

- Cobra dos professores ou do diretor quando a escola não atende aos mínimos descritos acima? No caso do ensino público, reclama com o secretário de Educação quando a política atrapalha o ensino? Está disposto a acampar em frente à casa do diretor ou secretário se outros métodos não funcionarem? Só o fato de conhecer a férrea disposição dos pais para protestar já pressiona a escola a resolver seus problemas e dissuade os políticos de meterem o bedelho onde não devem. Mas é preciso persistência.

 

- Apóia os professores dedicados, com palavras e atos? Os bons professores têm de ser ajudados e prestigiados. Sua missão é preciosa demais para não ser reconhecida com generosidade. Mas os que parecem ser maus professores devem ser questionados com insistência.

 

 

        Se os pais seguirem este decálogo, as consequências serão mais benéficas do que qualquer plano de educação feito pelo governo.

 

 

Cláudio de Moura Castro é economista

(claudiodmc@attglobal.net).

 

Clique aqui para voltar.